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Voz do Operário

Documentário de Miguel Costa na RTP sobre o Passado e o Presente da Sociedade “Voz do Operário” RTP 2 01 de Outubro de 2020 (12:00)

Para ver sobre o Projeto Eucativo da Voz : Aqui

https://www.rtp.pt/play/p6252/a-voz-do-operario

<a href="http://&lt;!– wp:paragraph –> <p>https://www.vozoperario.pt/</p&gt; <!– /wp:paragraph –> <!– wp:paragraph –> <p> </p> Uma escola na Cidade

O anjo Caído e as lições da história para um património decolonial

Num postal colocado na lista Museum o nosso colega Pedro Cardoso Pereira alerta para o processo de relevância no património.

A sua tese, com a qual estamos de acordo, tem por base a ideia de que atualmente, aquilo a que chamamos Património (que na verdade é já pela sua complexidade patrimónios) sofreu uma mudança de paradigma. Como tal, argumenta, aquilo a que chamamos Património (s) perdeu relevância. A questão de estrutura de relevância no património é um dos contributos deste nosso colega para os Estudos do Património. Vale a pena ler e conhecer esses seus contributos, mas não é isso que nos chamou a atenção.

A questão que aqui nos interessa é a mudança de paradigma. A questão o paradigma é outra questão complexa que desde Tomás Khun afeta a filosofia da Ciência. Ou seja, os seus argumentos são  que face à transformação do paradigma, a estrutura de relevância (o complexo de valores socialmente construídos) também se transformam. Quer isso dizer que um determinado tempo histórico tem um conjunto de características (valores sociais) que podemos observar através dos respetivos patrimónios, ou conjunto de objetos sociais relevantes que nos foram legados.

Vele então a pena discutir a questão sobre o que fazer aos objetos legados, que num determinado processo de transição deixam de ter a tal relevância social que lhe foi atribuída e se tornam objetos contestados. Perderam relevância simbólica, política, de legitimidade e necessitam ser substituídos. Como se faz esse descarte? Será necessário fazê-lo? Quem decido e como decide fazer o quê?

Caberá essa decisão aos políticos ou aos técnicos formados no anterior paradigma, ou ainda à sociedade no seu conjunto.  

Em termos metafóricos é essa a IX tese de Walter Benjamim sobre a Filosofia da História, onde analisa o Anjo da História- o “angelus novus”. O tempo, o progresso, o desenvolvimento, a civilização, inevitavelmente transforma em ruínas o passado.  

A voragem da destruição é inevitável. Os vencedores destroem os vencidos, reduzindo-os ao silenciamento. O problema é que como Walter Benjamim observou no seu tempo (o da ascensão do nazismo na Alemanha) é perceber que “que constitui o horror àqueles que contemplam o cortejo triunfal dos vencedores, aqueles que humilham os corpos dos vencidos, (como metáfora da sua vitória) é que eles não entendem que essa humilhação é ao mesmo tempo a negação do seu triunfo e da sua civilização

Ora se bem entendo as teses de Benjamim (com todo o messianismo que incorporam), será necessário superar esse ciclo de destruição e violência por um ciclo de compreensão a criatividade. A superação do colonialismo (do pensamento) do racismo (na sociedade), não é uma discussão sobre se existe ou não existe ou como existe. O relevante será pensar como vamos criar outros patrimónios que sejam inovadores e significativos para o nosso novo presente.

Eu gosto muito de citar o caso como o governo moçambicano lidou, em 1975, com o património construído pelos portugueses em Moçambique. Para simplificar vou usar o exemplo da estátua de Salazar que se encontra na Casa da Moeda de Maputo. O que fizeram os moçambicanos. Colocaram-me de castigo. Voltado para um canto. Não a destruíram, ou derreteram (é de bronze). Não deixaram o património herdado nos seus espaços de dominação na cidade, mas também não o destruíram. Reduziram-no. A sua história continua a ser, sem dúvida,  contestada, polémica, simbolicamente violenta. Mas só o reconhecendo foi possível construir novo património. Esses patrimónios são como anjos caídos, que depois de terem sido úteis se dissolvem na poeira do tempo, para se reconfigurarem de novo.

Noutro assunto tem também o nosso colega Pedro Cardoso Pereira razão. As nossas universidades estão a ser responsáveis pela exaltação no tratamento das questões da história. O grau de simplicidade na problematização das questões patrimoniais torna-as co responsáveis pela violência que hoje sentimos na sociedade. A incapacidade de leitura do real nas universidades (elas são também instituições de outros tempos) deixou-as bloqueadas nas respostas e sitiadas das propostas “ativistas” sobre as narrativas do politicamente correto” criado pelas modas importadas do continente americano. 

Seria para necessário para inverter esse ativismo estéril, uma ativismo criativo e inovador. Uma pedagogia assertiva, que ao invés das proclamações e dos atos públicos de afirmação pessoal, promovessem a pedagogia decolonial e pedagogia para a autonomia. trabalhando as heranças contestadas na base duma cultura de paz. Eu desconfio que não o sabem fazer !

A revolta de nada serve sem libertação do ser! Mas isso ficará para outra ocasião.

Jan Comenius e a didática

Jan Comenius e a didática

Jan Amos Komenský (em latim, Iohannes Amos Comenius  1592 –1670). Bispo da Morávia, educador e escritora do centro europeu modenro, desenvolveu a moderna didática – a  Česká didaktika (1682)  a sua obra pedagógica que ficará com o título de Didactica magna a partir de  638. Depois de uma vida atribulada na Morávia e Polónia, encontra abrigo em Amesterdão onde publica  amioria das suas obras. Em 1956, a Conferência Internacional da UNESCO em Nova Delhi (Índia) considera Comenius um dos pioneira das ideias que inspiraram a organização, o dialogo na diversidade.

A pedagogia de Comenius era fundamentalmente voltado para a chamadas artes liberais, (disciplinas dos homens livres compostas do Trivium (lógica, gramática, retórica) e o Quadrivium (aritmética, música, geometria, astronomia). Defendia esta plêiade de disciplinas, misturando os conteúdos de informação e o exercício do raciocínio critico. A didática de Comenius criticava a escolástica medieval, de ensino apenas a adultos, defendendo a educação das crianças e jovens. Separou a educação básica da educação superior. A didática defendia algumas práticas que já estavam em uso em algumas igrejas reformadas. Introduzia também o estudos das línguas clássicas e modernas. Foi um dos defensores da alfabetização de todas a população. Os seus trabalhos na Suécia, por exemplo, levaram a uma alfabetização total da população no século XIX.

O MEM – Movimento da Escola Moderna

O Movimento da Escola Moderna (MEM) é uma associação de professores e profissionais da educação que atua por países debaixo da supervisão da Federação Internacional dos Movimentos da Escola Moderna, criada em 1966. Em Portugal a associação constitui-se em 1976, na sequencia da revolução democrática de abril

O MEM tem por base a pedagogia de Célestin Freinet, um pedagogo francês que desenvolveu um método de educação com base no trabalho individual dos alunos, no trabalho de grupo, no contato com o ambiente da escola que se desenvolve através de projetos e a aplicação da regras democrátricas no funcionamento da sala de aula

O Movimento da Escola Moderrna:

http://www.movimentoescolamoderna.pt/modelo-pedagogico/sintaxe-do-modelo/

Centro de Recursos do MEM:

Clique para acessar o 120_IndModPedag_pag.pdf

Enrique Dussel (1934) e a Filosofia da Libertação

Dussel é um filósofo argentino radicado desde 1975 no México. Um dos teóricos da “Filosofia da libertação” e defende a necessidade de desenvolver um pensamento latino-americano em geral.

Têm vários trabalhos no campo do pensamento crítico. A sua teoria dos discursos defende a necessidade de reconhecimento da comunidade de comunicação. Nessa comunidade é necessário distinguir entre a vida e o discurso. O discurso sem a vida não tem qualquer significado. Por isso defende que os discursos na América são simultaneamente fundamentação e aplicação (retórica e vida) separando-se dos discursos eurocêntricos que apenas se constituem como fundamentação. É uma das vozes critica do domínio ético e histórico da ocidentalidade globalizante.

Dussel, Enrique (1977). A Filosofia da Libertação. São paulo

Clique para acessar o 29.Filosofia_da_libertacao.pdf

Rudolf Steiner (1861-1925 ) e a pedagogia Waldorf

Rudolf Steiner é o criador do método pedagógico Waldrof, que implica a ligação entre a pedagogia, a agricultura biodinâmica, a medicina antroposófica e da euritimia. A sua ciência ou filosofia antroposófica, ou antroposofia foi a base do seu trabalho. A Pedagogia Waldorff procura desenvolver as aptidões naturais das crianças na sua relação com a natureza, valorizar as experiencias sensoriais dos primeiros anos de vida. Procura ainda encontrar um equilíbrio entre os ritmos de vida e os ritmos da natureza

Na pedagogia Waldorfe procura-se trabalhar conhecimentos relevantes em ligação com natureza. Por exemplo modelar cera, costurar panos coloridos, amassar e cozer pão, trabalhar com materiais naturais, como troncos de madeira, conchas e cortiça, ou tratar da horta e do jardim. Estas atividades procuram desenvolver os sentidos das crianças, estimular a sua imaginação, dar vitalidade e a alegria de viver, apostando sempre numa maior ligação e respeito pela Natureza.

Durkheim (1858-1917) e a Sociologia da Educação

Emile Durkheim, um dos fundadores da Sociologia francesa, e habitualmente considerado um dos primeiros teóricos da sociologia da educação. Nos seus trabalhos considerou que um dos objetivos das escolas e dos processos de escolarização é criar indivíduos sociais, por via da formação de valores e da criação de atores sociais adaptados às condições da sociedade em que vivem. Para do princípio que existe um caminho que os cidadãos devem percorrer para “ascender” a uma cultura democrática que permita o usso das ferramentas adequadas ao trabalho socialmente útil.

A sociologia da educação defende a criação duma “escola republicana”, com forte identidade nacional (língua, história) alicerçada nos valores da democracia e da ética. A escola republicana permitiria a integração dos jovens na sociedade. Por essa razão a escola é considerada uma instituição central do estado, instrumento das políticas publicas para a igualdade, para a liberdade. De uma forma geral a escola republicana concretiza uma parte do programa revolucionário republicano novecentista.

A partir dos anos sessenta do século XX, a sociologia da educação francesas surge a procurar explicar a persistência malgrado a universalização do acesso à escola normal básica. De certa forma a sociologia da educação percebeu que apesar do acesso universal, a escolarização não resolve todas das contradições que se desenvolvem na sociedade, nomeadamente na sua relação com o acesso ao trabalho. De certo modo a sociologia da educação dá conta que as transformações do modelo económico e do trabalho são mais celeres que as respostas do modelo de educação, pensado para uma longa duração (18/23 anos). A educação, por sí só não resolvia-os problemas das desigualdades sociais, mas pelo contrário estava a contribuir para a continuidade dessas desigualdades. Os grupos sociais mais desfavorecidos não conseguem romper com o ciclo de pobreza porque recebem uma menor atenção e dispõem de menos recursos sociais adaptados no seio do grupo familiar.

Lev Vigotsky (1896 – 1934) a Educação como interação social

Psicólogo russo, trabalhou sobre o desenvolvimento cognitiva da linguagem na sua relação com as aprendizagens. Segundo Vigostky os processos cognitivos da criança decorrem em função das iterações sociais e das suas condições sociais. Com uma formação diversificada, efatua várias análise literárias e artísticas, defendendo a necessidade de unificação das várias ciências humanas, no que chamou a “psicologia cultural-histórica). Propôs e trabalhou num laboratório e fez várias experiências em populações nómadas, turco-manas da Ásia Central, tendo inclusive desenvolvido trabalhos de alfabetização.

Uma das áreas em que dedica mais atenção è a da disfunção da aprendizagem e de linguagem, inlcundo várias forma de incapacidades e deficiências. Escreveu entre outras questões “A Formação Social da Mente”, onde analisa a génese dos processos psicológicos humanos, da infância e da sua influência histórico-cultural.

Vigotsky faz para de geração de intelectuais soviéticos comprometidos com a revolução russo, cujo trabalho cai em desgraça na época de Estaline, sendo tardiamente reconhecidos. Os seus trabalhos sobre os símbolos, os mitos e as fábulas, serão posteriormente seguidos pelos formalistas e estudiosos do folclore.

O estudo sobre a arte e a linguagem serão cruciais para a sua proposta educacional, vistos como ferramentas da menta humana para criar uma mediação entre a consciência e a sua realidade. Por isso dá uma especial relevância aos sistemas simbólicos que são resultado da história social das comunidades.

A mente é para Vigostky socialmente construída e a arte permite compreender a relação intersubjetivo da relação do artista com a sociedade. Com Vigostsy a arte pode ser usada para aplicações práticas em indivíduos com problemas neurológicos e de aprendizagem.

O estudo da Linguagem permite compreender a forma com a mente se apropria do ambiente social e dá respostas que ativam as funções nurológicas superiores (memória, atenção, pensamento). A apropriação da linguagem permite a vivência e a partilha dum universo cultural A capacidade de brincar, de inventar são características que a criança desenvolve antes da linguagem, pelo que ela representa uma forma de acesso ao universo simbólico de cada um. Vygotsky é um profundo inspirador para o papel da inovação e criatividade nas aprendizagens.

Algumas questões, que surgem na análise do desenvolvimento das aprendizagens (desenvolvimento da cognição e da mente), foram enunciadas por Vygotsky. Por exemplo, a ideia da distinção entre o que a criança consegue alcançar sozinha e aquilo que é capaz de fazer quando estimulada, seja pelos outros, seja pelos professores, seja pelo ambiente social. A distinção entre zona de desenvolvimento real e zona de desenvolvimento potencial permite desenvolver uma medida do processo educacional.

Um outro conceito chave da teoria da aprendizagem de Vygotsky é o da mediação. A mediação das aprendizagens (experiência de Aprendizagem Mediada) é uma experiência processual em que ambos, o aluno e o mediador, aprendem. Para Vygotsky a teoria da aprendizagem concretiza-se na relação com o outro.