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João teixiera lopes e as políticas publicas para a cultura no gerador

Fonte Gerador

Políticas culturais europeias: sob o signo utilitarista

A orientação das políticas culturais na Europa vai muito de modas. Contudo, há um fio de prumo e esse assenta que nem uma luva na maximização dos impactos sociais e económicos e na ênfase nos valores extrínsecos, que encaram a cultura como um recurso, um meio para alcançar um fim que se situa alhures.  Daí que a atividade cultural sirva hoje para tudo: para acelerar o turnover das mercadorias, introduzindo diferenças estéticas que “inventam” novos produtos, estreitando a diferenciação entre a esfera económica e a cultural; promovendo o “desenvolvimento” sustentável; ocupando o tempo livre dos jovens e idosos através de modalidades de “animação”; estimulando o multiculturalismo, tantas vezes meramente festivo ou de fachada, usando ferramentas de “mediação”; acumulando capital social e simbólico na luta entre as classes sociais; alimentando o turismo; criando valor no marketing das cidades e na competição entre territórios; forjando “clusters criativos”; favorecendo a coesão (ou domesticação) social; etc., etc.

Parece haver muito pouca apetência pela visão romântica dos mundos da arte e da cultura em que estas surgiam como fins em si mesmos, práticas “puras”, desligadas da necessidade ou função. A cultura por si mesma sofre um enorme défice de legitimação no discurso hegemónico. O imenso poder desta constelação normativa coloniza os campos de atuação dos criadores, associações e ONG, que têm sempre de justificar um qualquer financiamento com base em indicadores extra culturais mensuráveis. Paradoxalmente, a culturalização da economia, das condutas (transformadas num supermercado de estilos de vida e em tecnologias de “apresentação de si”) e da ordem cívica caminha a par e passo com o esvaziamento do seu cariz intrinsecamente específico e qualitativo. Pois se tudo é “cultura” nada o é.

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Victoria Alexander sintetiza os seguintes pontos dessa orientação para o mercado (ainda que os modelos nacionais de política cultural sejam tendencialmente híbridos e comportem modos de intervenção do Estado):

  1. Uma ênfase nas fontes de receita financeira privada dentro do campo cultural, bem visível no aumento da dependência face ao mecenato;
  2. Regimes tributários que recentram a alocação de recursos do Estado para o mercado;
  3. Uma política com foco no valor público, responsabilidade do consumidor e um retorno demonstrável sobre o investimento estatal
  4. Realce de políticas com enfoque económico e centradas no estímulo ao crescimento e à geração de riqueza;
  5. Desestatização, desregulamentação e uma mudança para estruturas de governança que refletem a operação do setor privado;
  6. Integração ativa do campo cultural subsidiado nas indústrias criativas e na economia criativa com a inscrição do setor cultural subsidiado em discursos de inovação, criatividade e competitividade global;
  7. Limitada intervenção estatal nos domínios do emprego cultural e uma aposta no sujeito criativo empreendedor dentro de um mercado de trabalho flexível.

Desta forma, a política cultural europeia, ainda que atravessada por contradições e margens de negociação, surge como mais um braço do business as usual. Sinal, também, do empobrecimento do mundo e da vitória (provisória?) do pensamento unidimensional.

Referência: Alexander, Victoria D.. 2018. Enterprise Culture and the Arts: Neo-Liberal Values and British Art Institutions. In: Victoria D. Alexander; Samuli Hägg; Simo Häyrynen and Erkki Sevänen, eds. Art and the Challenge of Markets: National Cultural Politics and the Challenges of Marketization and Globalization 1. London: Palgrave, pp. 67-93. ISBN 978-3-319-64585-8

Gonçalo Ribeiro Teles e a Paisagem

Sobre a Casa dos Vinte e Quatro em Lisboa a a paisagem de Lisboa em Encontos do Património

Ideias

.Unidades de Paisagem –

.Colocar a paisagem em contexto e em relação

.Olhar o outro para integrar

.A paisagem como construção no tempo e no espaçao

As paisagens com história. Como é que a paisagem se constroi a partir das dinâmicas do território.

in Museu da Paisagem
“O homem desempenha na modelação da paisagem um papel muito importante, pode ser considerado, neste aspeto, como um autêntico criador de beleza. Toda a atividade humana tem como fim a satisfação das suas necessidades, quer espirituais, quer materiais. (…) A paisagem terá de ser considerada como um todo orgânico e biológico em que cada elemento é interdependente, influenciando e sofrendo da presença dos restantes participantes. A reciprocidade é a lei fundamental da natureza. Cada geração tem uma parcela relativamente pequena na construção duma paisagem, podendo, no entanto, ter um papel profundo na distribuição do equilíbrio geral.” in Ribeiro Telles G. (2011), Textos escolhidos. Argumentum, Lisboa

“A compreensão da paisagem é indispensável para nela se poder actuar, e nessa compreensão há que entender o relacionamento entre os diferentes que a compõem e o seu comportamento. O funcionamento global da paisagem, em cada momento, traduz-se sempre pela procura dum equilíbrio dinâmico e duma estabilidade temporal. A acção do homem poderá então determinar um caminho mais consentâneo com os os seus interesses no sentido da diversidade biológica e dum maior potencial genético e de vida.” in Caldeira Cabral F., Ribeiro Teles G. (1999), A árvore em Portugal. Assírio e Alvim, Lisboa.